ENTREVISTA
29/10/2004
DJ Diego
WOS - O que a dificuldade para realização
de festas de musica eletrônica em SC influencia
no seu trabalho?
Diego - Com certeza, a proibição
por parte do governo para a realização
de festas de musica eletronica a céu aberto (open
air) tem consideravelmente diminuído o numero
de atuações minhas aqui no estado, antes
da proibição eram em média 6 a
8 vezes por mês, agora tenho uma media de 3 a
5 vezes por mês, mas, infelizmente não
temos como lutar, ninguém se organiza, acho que
também há um desinteresse, mas a triste
verdade é que estamos regredindo.
WOS
- A respeito de produção, existe algum
projeto do qual você faz parte? Fale sobre ele!
Diego - Eu e o Pezão (André Peh)
começamos a produzir no inicio do ano, não
temos ainda um nome para o nosso projeto, mas estamos
tentando criar algo parecido com as coisas que tocamos,
full on morning. Devido a alguns problemas na nossa
fonte (PC) estamos parados a um mês. Mas se tudo
der certo, mês que vem chega um soundcard novo,
e recomeçamos.
WOS
- O que uma agência pode ajudar na vida de um
dj?
Diego - A agência tem suas vantagens e
desvantagens, a parte legal é que pelo fato de
ser uma organização com vários
dj´s, sempre rola um espaço pra você
tocar em outros lugares que nunca nem imaginou, como
eu, por exemplo, toquei no PR todinho, e sou residente
de um núcleo em Porto Alegre, quanto à
parte ruim é que as vezes você está
preso a eles e não tem a liberdade de escolher
onde poderá ou não tocar, a coisa fica
bem mais profissional, mas tudo tem seu preço,
profissionalismo acima de tudo. Faço parte do
casting da E-feelings (Curitiba/PR), onde tambem fazem
parte os dj´s: Rodrigo Carreira, Sarschas e Guga.
WOS
- Você possui alguma atividade paralela (trabalho,
faculdade, hobby)?
Diego - Sou acadêmico de direito, estou
no 7º semestre e pretendo me formar no final do
ano que vem, estudo aqui em Balneário Camboriú
mesmo, na Univali, quanto ao trabalho hoje em dia não
trabalho mais, mas já trabalhei sim. Atualmente
estou procurando um emprego de novo, pois, com a "expansão"
assim por dizer, do mercado, fica cada vez mais difícil
tocar em Santa Catarina.
WOS
- Em relação a polemica MP3 e Originais,
qual sua posição?
Diego - Originais, sempre! Isso é uma
falta de respeito, é como o lance do vinil e
do CD. Se você fosse proprietário de um
club de techno, você chamaria um cara que toca
com cd? Eu acredito que não, mas infelizmente
a ficha ainda não caiu no psytrance. Tem produtor
de evento, que tambem não é produtor,
põe os amigos dele pra tocarem, não paga
nada pros caras e ainda fica tirando onda. Mas, isso
não tem nada a ver com a pergunta, eu sou um
cara que preza pela qualidade em tudo, sempre. Não
há nem de se comparar a diferença da qualidade
de um cd original frente a uma mp3, então, fico
com os originais.
WOS
- Nota-se no seu set, a ausência de guitarras
e synths estridentes, se opondo a maioria dos dj´s
atualmente. Como você acha que o público
recebe essa linha mais séria?
Diego - É um assunto complicado. O Trance
virou moda, mas assim, eu nunca vou mudar o meu estilo
pq trance virou moda, ou pra me vender, pra tocar em
tal festa, compreende? Eu toco essa linha desde a época
que comecei e não vou mudar, é essa linha
que me agrada, é uma linha séria, sem
chacota, lógico, que já toquei em determinados
locais uma ou outra dessas "super pops", toquei
porquê o local era propicio para tal ato! Com
relação ao público, estou tendo
dificuldades ultimamente, essa galera mais nova, que
ta começando a ir às festas agora, não
está muito acostumada, todo mundo curte bastante
a linha de Israel, pois é de assimilação
fácil, empolgante, eu particularmente odeio,
mas, gosto não se discute.
WOS - Você começou na musica tocando
bateria, o que levou você a optar pela musica
eletrônica?
Diego - Então, isso foi em 1996, quando
voltei dos EUA, comprei uma bateria irada! Tocava numa
quase banda, éramos um trio, mas não tínhamos
um estilo definido, gostávamos de Prodigy, Moby,
Chemical Brothers, Junkie XL, Sublime, Green Day, sempre
mesclando tudo. Sempre gostei de música eletrônica,
era viciado, tanto que ao lado da minha casa tinha um
club, que o MC JACK era residente, e foi bem na época
que ele ficou em 4º lugar no World DMC (1994),
que é o concurso de performances mundiais de
dj´s, então eu ia nos finais de semana
lá pra ver o cara tocar, era uma coisa de outro
mundo, pq naquela época não tinha nenhum
lugar (club) que eu poderia ir pra ver o dj tocar com
vinil saca, pra mim aquilo era muito foda! E o cara
tocava umas coisas assim, absurdas, tipo Rollin Scratches
do Daft Punk, fazia scratches, quebrava discos, aquilo
me fascinava. Mais tarde conheci o trance, aqui em Balneário
Camboriu mesmo, nas Full Moons que rolaram aqui na areia,
até o meio dia, bons tempos aqueles.
WOS
- Qual horário você prefere tocar e curtir?
Diego - Curto tocar pela manha, entre 6hs e 8hs,
acho que combina mais com o som que curto, ou depois
ainda, pelas 10hs, 11hs, depende de onde e depende da
galera também!
WOS
- Como vários dj´s catarinenses estão
começando a tocar agora e cobram mais barato,
você acredita que eles acabam tirando um pouco
o espaço dos dj´s mais experientes?
Diego - Cara, isso é uma pouca vergonha.
Eles querem aparecer de qualquer jeito, compreende?
Então eles se jogam por qualquer grana, isso
está prostituindo a cena, porque o produtor do
evento, não sabe que eu gasto R$ 500 por mês
comprando cds, pra ter um set de qualidade, enquanto
essa galera ai toca de mp3, e cobra um valor simbólico,
o pior de tudo é que já ouvi dizer dessa
galera, que eles preferem mesmo tocar por 50 reais +
gasolina, que é o preço de tabela deles,
do que tocar uma vez por mês e ter um cachê
um pouco mais alto. Mas isso é culpa da popularização
do psytrance. Eles não são dj´s,
e nem querem ser, eles querem é ficar aparecendo,
tocando nas festinhas, pegando as menininhas, essas
coisas assim, eles tocam porque hoje em dia com a tecnologia
qualquer um toca, qualquer pessoa que tenha 2 meses
de prática já consegue tocar numa festa,
então essa galera ai, quer mesmo é aparecer,
não estão nem aí pra música,
mesmo porque quando você os coloca pra tocar num
equipamento diferente do que eles estão acostumados,
eles não sabem, ou erram tudo, são uma
onda, como está sendo o psytrance atualmente,
isso é triste de falar, mas é a verdade,
vai perguntar pra essa nova leva de dj´s, se eles
sabem tocar com pick-ups, pergunta se eles entendem
algo da parte estrutural, como instalação
de som, obviamente não sabem, o lance deles é
o CDJ, e colocar as 2 musicas no fone e deu!
WOS
- Qual live ou dj influenciou mais sua carreira e por
quê?
Diego - Foram vários, Lipe Forbes, Mack,
Rodrigo Carreira, quando comecei a tocar o Sarschas
morava aqui em Balneário Camboriú, e entrei
pra esse lance de baladas por causa do Warung, que sou
residente de lá até hoje, então
eu e ele somos os residentes, e tocávamos juntos
todo final de semana, acredito que isso tenha me influenciado
bastante, mesmo porque naquela época éramos
só eu e ele de dj´s aqui em Santa Catarina,
agora que "crowndeou" o pico!!!
WOS
- Top 10 do Diego
01 - Wrecked Machines & Dual Head - Remark
02 - Polaris - Blue bell
03 - Spiritual Enhancer - No Name
04 - Broken Toy - Creature of the weel
05 - Audio Cactus - Germinal
06 - Spectral Skunk - Reverse 4
07 - Altom - Not for children
08 - Rastaliens - System shock
09 - Vibra - Freeway
10 - Point - Acess