ENTREVISTA
20/09/2004
DJ Marcelo Vor
Considerado um dos principais expoentes do psy trance
brasileiro, este paulista iniciou sua carreira como
dj aos 13 anos tocando dance music. Tocou nos principais
festivais nacionais como Earthdance, Ypypoty, Celebra
Brasil, XXXperience, além dos maiores festivais
europeus (Voov Festival, Shiva Moon e Full Moon Festival).
Em
2002 passou a fazer parte do selo italiano Neurobiotic
Records. Tocando sempre um som atual, gosta da variação
do full on, mais pesado ems clubes e mais grooveado
em festivais "open air".
Possui grande sensibilidade para adequar seu som ao
público e horário. Não é
a toa que este carismático dj é presença
certa nos eventos da Waves of Sound (já tocou
em 4 oportunidades).
Morando na Inglaterra e cursando engenharia de som,
vem dedicando-se a tambem a produçao.
WOS - Qual horário que voce prefere tocar
nos festivais e qual prefere curtir?
VOR
- Festival é o tipo de evento que para mim tanto
faz o horario...É uma festa que dura muito tempo
e por isso dá para experimentar bastante, tocar
um som diferente, variar um pouco... se a minha funcão
é fazer um fim de tarde legal, vou me esforcar
para fazer, se a minha funcao é segurar a onda
durante a noite, tambem vou fazer com o maior prazer...
um dj, diferentemente de um live act, pode e deve adequar-se
ao horario que lhe é oferecido. Agora curtir...
acho que toda hora é válida... depende
de quem está tocando, do meu estado de espirito,
de vários fatores... cada momento oferece algo
diferente do outro... a noite mais introspectiva, te
levando em contato com o seu "eu" e o dia
mais para as pessoas poderem interagir e ambas as experiências
são interessantes.
WOS - Fale da sua carreira como produtor
VOR
- Passado... bem, minha 1a experiencia como produtor
foi no comeco de 2000 com os meninos do Influx.. na
verdade, na época eu não tinha a menor
idéia de como funcionavam as coisas, mas um dia
sentamos e fizemos um psicodélico (na epoca o
projeto Influx era voltado para o Euro/Hard Trance)...
foi bem legal a experiência... depois disso, no
comeco de 2001 eu e o Lipe (Forbes aka Skulptor) tambem
nos juntamos para fazer um som... nada muito sério...
fizemos uma música, a experiencia foi legal e
um dia, de bobeira na internet, achei uns samples do
jogo Mario Bros e liguei para ele, mostrei e resolvemos
fazer uma música com estes samples... a Super
MDMArio, que virou hit no Brasil, tocando em festas
psy, techno, comerciais, rádios e que depois
de um tempo ganhou tambem a Europa. Quando estive tocando
no VooV Experience, na Alemanha, em 2002, o Swarup que
havia tocado no Antaris, festival que aconteceu algumas
semanas antes do VooV, me disse que eu tinha que tocar
a MDMArio, que vários djs haviam tocado no Antaris
e na época eu tinha um remix dela que ninguem
tinha, que veio a sair na coletânea Rave XXXPerience
2 do Feio um tempo depois e, quando toquei, a pista
veio abaixo! Mais de 10.000 pessoas bombando a música,
foi inacreditável...o que primeiramente tinha
sido uma brincadeira em estúdio, realmente tinha
virado um hit... muito bacana... Lipe e eu fizemos mais
algumas músicas, nosso projeto se chamava Insane
Tubulators, chegamos até a fazer um live numa
MegAvonts em São Paulo, mas queriamos fazer coisas
diferentes em relacão a música, e minha
rotina como dj estava muito puxada na época,
o que me impossibilitava passar horas em estúdio,
então preferi focar mais no meu lado DJ. No comeco
de 2003, os irmaos Ricardo (Stralia) e Daniel(Vibra),
que moravam em Nova York, se mudaram para cá.
Vibra tinha lancado seu album ainda em 2002 pela Neurobiotic
Records, selo italiano, do DJ Edoardo, o qual eu trabalho
desde o comeco de 2002, e ja nos conheciamos pela Net
e tambem ja havia os trazido para o festival Psychedelic
Circus, que aconteceu tambem em 2002 e quando eles chegaram
aqui, montaram o studio deles em Sao Paulo, por coincidencia,
a 2 quarteiroes da casa onde eu morava e comecamos a
trabalhar juntos. Fizemos algumas trax nos 3, sob o
nome de VSV (Vibra+Stralia+VOR) e o Vibra e eu resolvemos
fazer um projeto nosso. Fizemos umas 5 musicas em 2003,
ate chegarmos ao som que nos queriamos, que eh diferente
do som que o Vibra faz. Demos um nome para o projeto,
que se chama 2hi, e continuamos durante o ano de 2004
a trabalhar juntos. O resultado ficou bem interessante
e temos o nosso 1o release saindo dia 11 de Outubro
pela Pukka Music, novo label do DJ Vlado, que tambem
eh editor da revista Shangri-la-la, a maior revista
de trance psicodelico na língua inglesa, de Londres.
Vendemos outra para o label frances Mandala Records,
que sai ainda este ano e estamos negociando com muitas
gravadoras as outras músicas. Tivemos tambem
algumas colaboracões com Setherian (DJ Seth),
DJ Poli (Spun Rec.) entre outros. No momento, como estou
em Londres, demos uma parada com o 2hi, mas muitas de
nossas músicas foram feitas entre abril e maio
deste ano então ainda estao bem novas e atuais.
Por aqui, no momento, estou trabalhando com o italiano
Matteo, do projeto M-Klome, que está com a gravadora
Alchemy Records e com o tambem italiano Francesco, da
Transient Records. Como estou sem estúdio por
aqui, estou sempre trabalhando com outros artistas,
o que é bem interessante, porque rola um intercambio
de ideias bem legal. E o futuro é incerto, não
sei até quando fico por aqui, pelo menos até
junho do ano que vem, mas quando voltar ao Brasil daremos
continuidade com o projeto 2hi.
WOS - Qual dj ou live influenciou mais sua carreira
e por quê?
VOR
- Alguns nomes influenciaram minha carreira, como por
exemplo o dj Dimitri Nakov, por tocar sempre um som
atual com mixagens perfeitas, o dj Dino Psaras, pelo
seu estilo de mixagens tambem e por mesclar acid techno
com full on, alguns lives como por exemplo Kox Box,
com seu som tridimensional, sempre trazendo coisas diferentes
e inusitadas em suas apresentacões. Antidote
com um groove muito bom e uma viagem diferente daquilo
que sempre tocam nas festas. Alguns estilos que me influenciam
também são o Tech-house, Nu Breaks e Electro,
pelo trabalho de percussão e linhas de baixo
do Tech-house, as melodias ácidas e o groove
do Break Beat e pela viagem retrô do Electro,
que são influencia para muitos produtores de
psicodelico que tentam fazer algo diferente do clichê.
WOS - O que tem feito na Inglaterra?quando pretende
voltar?
VOR
- Estou estudando engenharia de audio no SAE (http://www.sae.edu),
meu curso acaba em Junho de 2005 mas não sei
se volto logo que acabar o curso ou fico mais um tempinho
por aqui. Não tem preco a experiência de
morar em outro país, principalmente numa cidade
como Londres, que é um lugar que tudo acontece.
Tudo aqui é arte, moda, cultura, é um
banho de inspiracão para artistas de qualquer
meio e é praticamente a capital da Europa, o
que torna as viagens muito mais fáceis.
WOS - Fale um pouco das suas apresentações
na Europa em 2004.
VOR
- Estou conseguindo manter uma rotina boa de apresentacões
por aqui. Em Londres, toco quase todo final de semana,
em clubs, "squat parties", que são
festas em lugares invadidos do dia pra noite (tem uma
lei aqui que permite que essas festas rolem...a polícia
quase nunca tem como parar!) e as festas rolam nos lugares
mais inusitados possíveis, como em lava-rápidos,
Clubes de Campo (com chill-outs em quadras de squash!),
boates abandonadas nos subúrbios de londres,
escolas abandonadas, fábricas, qualquer lugar
que você pense tem algum maluco de olho para invadir
e fazer uma festa. Essas são as festas aonde
vai a galera mais freak underground, que muitas vezes
não tem dinheiro para pagar a quantia que os
clubs pedem, mas normalmente são nos clubs onde
rolam os grandes nomes tocando live, os grandes djs.
No verão toquei em várias open air parties
que rolaram por aqui, em fazendas, parques, clareiras
na floresta... e também rolam festas menores
em pubs, que acabam 11 da noite. Dia 8 de outubro agora
vou tocar na festa da Alchemy Records, com Logic Bomb,
Dark Soho, Electric Universe, Joti Sidhu e Shane Gobi,
além de Banco de Gaia no progressive stage e
em dezembro vai rolar a Fairy Tales, junto com a Neurobiotic
Records, onde eu toco com Polaris, Tikal, Edoardo e
os residentes Marchello (Etnicanet) e Simo (Alchemy).
Fora da Inglaterra toquei em Amsterdam, em julho, no
dia fora do tempo, numa open air, num festival perto
da Antuerpia, na Belgica, em Budapest, em agosto, numa
festa da Nike, dentro de um barco no Rio Danubio. Agora
em outubro toco na inauguracão de um Club em
Milao, no fim de outubro na Franca, num club onde peguei
residencia de 2 em 2 meses, chamado Gibus, que é
o unico club psy de Paris, em Novembro na Austria, numa
festa com Psysex e no final de Novembro na Suecia, numa
festa dentro de uma caverna, perto de Stockholm, junto
com S-Range e Cyrus the Virus, lancando seu álbum
pela Spun Records. E mais e mais convites estão
rolando. Tá sendo uma experiência muito
boa estar por aqui.
WOS
- O que você acha que acontecerá com o
psytrance á longo prazo? Acha que crescerá
ou passará como um modismo?
VOR
- Acho que está crescendo cada vez mais. Já
achei que passaria, como um modismo, mas cada vez mais
temos mais artistas, mais pessoas fazendo festas, mais
djs, mais fãs. Por um lado, virou uma grande
indústria, como o que rola com qualquer outra
expressão artística musical aonde um grande
número de pessoas vai atrás, mas ainda
existem as festas onde você pode ir e o antigo
espírito trance de paz, amor, união e
respeito ainda estão presentes. Pra ser bem sincero,
ultimamente no Brasil eu estava achando que seria impossível
de ver isso numa festa ainda, dadas pouquíssimas
exceções (as Waves of Sound em que eu
toquei, foram um exemplo disso, sem babação
de ovo!), mas sei que tem muita gente que tem amor pela
coisa. Porém eu sinto falta um pouco de uma cena
mais antenada no mundo, não só pirando
nas festas e vivendo o momento, mas pessoas com uma
consciência maior sobre o que somos e a nossa
funcão no mundo... se as pessoas vão às
festas só pra despirocar sem consciência,
que é o que está rolando, infelizmente,
o espírito morre... e aí só fica
a indústria...e a indústria você
sabe como é, tá sempre de olho na bola
da vez... e é ai que mora o perigo... só
pra citar como exemplo a cena de progressive house da
Inglaterra: quando estive aqui em 1999, só se
falava nisso, mega clubs para 6 mil pessoas abriam todo
mês, coisas do gênero, hoje em dia você
tem pouquíssimas boates onde voce pode ir ouvir
música boa que não seja hip hop e r&b
e todos muito comerciais, música de rádio.
A moda agora é o hip hop então a indústria
focou nisso, pra ganhar mais dinheiro com isso. E até
que por um lado foi bom para o psytrance que recebeu
os órfãos dos outros estilos, e agora
a capa da MixMag é sobre psytrance, da iDJ...
mas tambem não sei até que ponto isso
é bom... enfim... só Deus sabe o que vai
ser do futuro.
WOS - Você esta excursionando pela Europa,
Quais novos artistas estão despontando na cena
internacional que chamaram sua atenção?
VOR
- Não sei se posso considerá-los todos
novos, mas por aqui Altom, Tikal, Polaris, Pixel, Wrecked
Machines, Vibra e Eskimo são presença
certa no set de todos os djs.
WOS - Como você mantém seu som atual?
VOR
- Trabalho para a Neurobiotic como DJ e A&R (artists
and repertoire), o que me dá o direito de pedir
músicas para os artistas para possíveis
lançamentos na label, o que sem duvida já
ajuda bastante, além de artistas que são
amigos e dão as musicas de qualquer jeito, gravadoras
sempre dão promos dos futuros lançamentos,
compro alguns cds e copio alguns de amigos que compraram
também. Estou sempre de olho em revistas, sites,
fóruns e afins pra saber o que está saindo
de novidade por aí para saber atrás do
que eu devo ir.
WOS - Defina a linha do dj set de Marcelo VOR.
VOR
- Essa é uma pergunta difícil. Gosto de
variar bastante, não daria para definir meu som
de uma só maneira... se a festa é num
club, gosto de tocar um som um pouco mais puxado pro
techno, pro tech-house, que eu acho que combina com
um lugar fechado. Se for de noite, numa festa ao ar
livre, gosto de tocar um som mais dark... psicodélico,
porém mais sombrio, com uma atmosfera meio sinistra,
meio filme de suspense. Se for no amanhecer trago esse
suspense para algo mais alegre, que saúda os
primeiros raios de sol da manhã, com bastante
energia. Se já é perto do meio-dia ou
depois disto, gosto de tocar um som mais solto, mais
puxado pro house porém psicodelico, com mais
ambiência, para limpar a cabeça da galera,
que ouviu uma coisa mais pesada durante toda a festa.
Mas mesmo assim tudo depende, posso fazer exatamente
o contrário disso que eu disse se eu sentir que
o clima é outro, mas uma coisa é certa,
nunca gosto de repetir sets e nem de tocar muitas vezes
as mesmas músicas senão eu me enjôo
e além de agradar ao público, gosto de
me divertir quando toco também.
WOS - O que você achou das Waves of Sound?
VOR
- Gostei muito de todas que eu tive o prazer de participar.
Um clima bom, bem entre amigos, galera bonita se divertindo,
achei legal inclusive quando rolou techno de noite (na
Tsunami, se não me engano!), às vezes
é legal dar uma variada e mostrar outras tendências,
outros estilos. Organização sempre nota
10, sound system bom, tudo bom, da minha parte só
elogios!!!
WOS
- top 10 do VOR
01-
Vibra - Blockbuster
02- 2hi - Bad Ass
03- Kox Box vs Synthetic - Last Day of Kristiana
04- Vibra - Excess
05- 2hi - Pollen
06- Dino Psaras - Raukus
07- Vibra - Hyperdrive
08- 2hi - Evil Stuff
09- Joti Sidhu vs Altom - Atropa
10- Vibra - Turbocharged